PEC do Plasma: empresas estão de olho no seu sangue
Tramita no Senado a Proposta de Emenda à Constituição para comercialização de plasma pelo setor privado.
Ou seja, um dos componentes do sangue, o plasma, pode ser privatizado, caso a PEC venha a ser aprovada.
A proposta tramita no Senado desde 2022 e prevê mudanças no artigo da Constituição que proíbe “todo tipo de comercialização” do sangue e seus derivados.
Pela Lei do Sangue, todo o plasma que não for usado em transfusões de sangue – cerca de 90% do que é coletado – é considerado excedente e deve ser entregue gratuitamente ao SUS. Esse material é usado na produção de medicamentos e destinados a pacientes com problemas no sistema imunológico e na coagulação do sangue, por exemplo.
Segundo estimativa da indústria farmacêutica, o mercado atual de remédios derivados do sangue movimenta cerca de R$ 10 bilhões no Brasil. Para se ter uma ideia, custa em média R$ 2 mil um frasco com apenas cinco gramas de imunoglobulina, medicamento produzido a partir do plasma.
Em vez de repassar o plasma para o SUS sem receber nada em troca, a iniciativa privada quer fincar as garras nesse lucrativo mercado – e está investindo pesado em anúncios na imprensa para convencer as pessoas de que a mudança na lei é boa para elas também.
A aprovação da PEC pode encher os bolsos dos empresários, mas arrisca esvaziar os estoques dos hemocentro públicos e encarecer os medicamentos produzidos a partir do plasma.


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